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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A caminho do necrotério, pai descobre que bebê estava vivo

Segundo hospital, funcionária havia notado que criança se mexeu.
Médico não teria visto sinais vitais no bebê, que nasceu prematuro.

Luciana Rossetto Do G1, em São Paulo


Um bebê prematuro, dado como morto, por pouco não foi encaminhado ao necrotério do Hospital Modesto de Carvalho, em Itumbiara (GO), no sábado (8). O pai da menina, Andriel Pontes de Oliveira, contou ao G1 que ele mesmo percebeu que a filha estava viva quando foi ver o corpo e notou que ela fazia força para respirar e mexia os braços.


“Eu disse para a enfermeira que minha filha estava respirando, então ela pegou a criança e levou para o médico. Colocaram minha filha na estufa e ela tinha batimentos cardíacos. Foi muita irresponsabilidade dos médicos. O que fizeram com a gente, não se faz com ninguém”, afirmou Oliveira, ainda perplexo com o que aconteceu.


Oliveira explicou que sua mulher, Larissa Garcia dos Santos, foi internada na terça-feira (4) por causa de complicações na gravidez. A criança nasceu no sábado, após cerca de cinco meses de gestação.


Segundo Oliveira, a equipe médica que teria constatado a morte da menina não mostrou o bebê para a mãe, apenas informou que a criança estava morta. “Minha esposa ficou desesperada quando não quiseram entregar a menina. Minha filha foi tirada da sala de parto ainda viva e ficou mais de uma hora sozinha, sem nenhum atendimento, lutando para viver”, disse.


Segundo Oliveira, depois que a equipe médica foi chamada e percebeu que a criança estava viva, a menina recebeu os primeiros atendimentos e foi encaminhada ao Hospital Materno Infantil, em Goiânia. Segundo o hospital, ela permanece internada e seu estado é grave, mas estável.


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Negligência

O advogado Leandro Martins Pereira, que representa a família, explicou que aguarda a evolução do estado de saúde do bebê para definir que ação será tomada contra o hospital. “É sem dúvida um caso de negligência, mas a situação pode se agravar caso a menina não sobreviva”, disse.


Segundo o advogado, já foi solicitado ao hospital o prontuário médico da mãe e os documentos relacionados à criança, inclusive o atestado de óbito que teria sido assinado pelo médico. “O casal saiu do hospital sem nenhum documento, não entregaram nada que possa comprovar o que aconteceu. A direção diz que não foi feito o atestado, mas o médico confirmou para os pais da criança que fez o documento”, afirmou o advogado.

Investigação

O diretor clínico do Hospital Modesto de Carvalho, Ernani Oliveira Rodrigues, disse que, após o parto, o médico não percebeu sinais vitais na criança. O bebê teria recebido atendimento ainda no centro cirúrgico, mas não teria respondido.



Segundo Rodrigues, o médico teria constatado o óbito, mas não chegou a preencher o atestado.


Ainda de acordo com o diretor clínico, a menina teria sido encaminhada para a sala onde receberia cuidados da equipe de enfermagem e, posteriormente, seria levada ao necrotério. Ao contrário do que informa o pai da criança, Rodrigues ressalta que uma funcionária – não o pai – percebeu que a criança estava se mexendo e acionou a equipe médica.


“Comunicamos a Comissão de Ética Médica do Conselho Regional de Medicina (CRM) e instauramos uma sindicância interna que vai avaliar se houve desvio de conduta do médico. Vamos investigar o que aconteceu”, disse Rodrigues.



O diretor clínico afirmou que ainda não conversou com o médico e enfermeiros que atenderam a mãe e o bebê. Eles devem fazer uma reunião nesta terça-feira (11).

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1261660-5598,00-A+CAMINHO+DO+NECROTERIO+PAI+DESCOBRE+QUE+BEBE+ESTAVA+VIVO.html

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